Por que falar de violência contra o idoso ganha ainda maior importância em 2020?

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O dia 15 de junho marca o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. A data foi instituída em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa.

Ainda que o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03) considere violência contra o idoso qualquer ação ou omissão que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico e cita em seu art. 4º que “Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão”, em 2018 o Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado na revista especializada Lancet Global Health, alertava que um em cada seis idosos era vítima de algum tipo de violência que pode ser visível ou invisível.

Agora, em 2020, o tema ganha ainda mais relevância diante do aumento da violência doméstica durante a pandemia de Covid-19. O próprio secretário geral das Nações Unidas, António Gutierrez, assegurou que “a pandemia de Covid-19 está causando medo e sofrimento incalculáveis para as pessoas idosas em todo o mundo, e que além de seu impacto imediato na saúde, está colocando as pessoas mais velhas em maior risco de pobreza, discriminação e isolamento.” Ainda segundo ele, “é provável que a epidemia tenha um impacto particularmente devastador sobre as pessoas idosas nos países em desenvolvimento. Os idosos têm os mesmos direitos à vida e à saúde que todos os outros. As decisões difíceis em torno dos cuidados médicos que salvam vidas devem respeitar os direitos humanos e a dignidade de todos”, afirmou.

Em entrevista ao Jornal Folha de S. Paulo, quando questionado pela jornalista Cláudia Collucci se existia no Brasil a “cultura do descarte” do idoso durante a pandemia, como descrito em carta aberta de intelectuais europeus, o médico Alexandre Kalache – epidemiologista especializado no estudo do envelhecimento – afirmou que “o preconceito de idade (que eu chamou de idadismo) que já existia contra os idosos, apenas aflorou e aumentou com a questão da Covid-19. Nas palavras dele, expressões como “Deixa morrer!”, “Já viveu muito!”, e “E daí?” tornaram-se frases comuns, e indicam que “parece que ninguém se importa mais com a morte de alguém que já viveu muito.” É o que, nas palavras dele, chamamos de gerontocídio.

Alguns dados começam a aparecer para ilustrar essa dura realidade em que vivemos. Pernambuco teve aumento no número de denúncias de violações cometidas contra idosos durante o período de isolamento social. Desde o dia 12 de março, quando foram confirmados os primeiros casos de Covid-19 no estado, até 6 de abril, houve 33 denúncias, contra 18 no período de 26 dias anterior à chegada da pandemia ao estado. Isso representa um aumento de 83,33%, segundo dados do Centro Integrado de Atenção e Prevenção à Violência Contra a Pessoa Idosa (Ciappi).

Está claro que novos desafios se despontam nesse momento de crise de saúde e econômica no Brasil e no mundo. Não podemos nos esquecer que envelhecer é uma conquista da sociedade e dos indivíduos, não podendo ser considerada um ônus. A Covid-19 trouxe com ela o que há de melhor (repensar hábitos, ampliar informação) e também de pior dentro das pessoas. O idadismo, ageismo ou etarismo afloraram e junto com eles outros tipos de violência aos idosos e aos mais vulneráveis.

Por isso, mais do que nunca temos que falar sobre o tema e agir para garantir a vida e a saúde dos idosos. É com essa e muitas outras bandeiras a favor do envelhecimento saudável que surge o MOVIMENTO SOMOS 60 +.


Martha Oliveira

Sócia Fundadora do Movimento Somos60+

CEO na DESIGNING SAÚDE Consultoria

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By 8 Arroba