O idoso de hoje está longe de ser velho

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Estudando e trabalhando com pessoas em processo de envelhecimento vejo como o comportamento das pessoas ditas maduras, acima dos 50 anos vem mudando. Não sei por que em algum momento me espantei com isso. Afinal, esse é um processo natural e como tudo evolui, por que achar que com estas pessoas seria diferente?

Hoje as crianças nascem teclando tabletes e celulares, os jovens permanecem até mais tarde morando na casa dos seus pais e entram mais tarde no mercado de trabalho e os adultos demoram mais para decidir-se casar ou ter filhos. Por que então esperar que as pessoas acima dos 50 comportem-se como nas décadas passadas?

Estas  pessoas só mantém o cabelo branco, se estiverem se sentindo bem assim, estampando sua  vivência. As senhoras trocaram seus vestidos beges e cinzas de “vovozinha “usados abaixo  dos joelhos e suas anáguas, por calças, blusas e vestidos modernos, cheios de cor e vida.

Prefiro chamar estas pessoas “de envelhescentes”, pois a palavra  idoso, velho, traz para mim uma conotação de alguém ou algo que não tem mais utilidade, mais vida, mais produtividade e com certeza não é isso que acontece.

Aquela história do almoço preparado pela vovó aos domingos anda cada vez mais rara! Hoje muitas destas pessoas , não mais cozinham. Descobriram que cozinhar e cuidar da casa leva muito tempo e querem aproveitar o seu, da melhor forma possível! Quando podem, prefere sair com suas famílias para os restaurantes, diversificar, conhecerem lugares novos, perder tempo cuidando de si mesmas, curtindo e interagindo com suas famílias e amigos ou fazendo algo mais interessante que cozinhar por obrigação ou mero hábito. Agora, se puderem, cozinham esporadicamente somente em ocasiões especiais e por prazer. Acho essa mudança libertadora para as mulheres.

Agulhas de crochês e tricôs são cada vez mais raras e ter uma máquina de costura em casa é quase como ter uma nave espacial que os netinhos não sabem de onde vem e pra que serve! Os homens entenderam que jogar dominó pode ser legal, mas que caminhar é preciso e tornam-se cada vez mais vaidosos e ágeis também.

A resistência pelo uso da tecnologia rapidamente se desfaz diante do primeiro celular ou smartphone, onde se consegue ver fotos de pessoas queridas e reencontrar amigos que já não via há anos ou décadas. Há envelhescentes que já usam o Tinder para buscar novos relacionamentos.

Apesar de difícil, torna-se desafiante aprender lidar com tantos botões e teclas que estes aparelhos possuem, para descobrir um mundo novo…. uma informação que antes demorava dias, meses e um conhecimento que demandava ir às bibliotecas… agora conquistado em segundos com poucos toques na tela de um celular ou tablete.

As conversas que antes ocorriam em chás ou cafés da tarde acontecem agora por whatsapp onde as mulheres e homens combinam saídas entre amigos do mesmo sexo, algo inadmissível nas décadas passadas especialmente para mulheres casadas.

Viajar com as amigas, só em mulheres, então nem se fala… Isso era “coisa de mulher mal falada!” Ouvia-se dizer somente que alguns homens viajavam juntos para as pescarias em Mato Grosso ou Amazonas.

Com toda a evolução tecnológica e da medicina, a expectativa do brasileiro que era na década de 80 de 62,5 anos, agora está em quase 74 anos!  Estamos falando aqui de idade média.  Por que em grandes cidades e centros urbanos, que possuem bons recursos em saúde, está cada mês mais comum encontrar pessoas vivendo até 80, 85 ou 90 anos.

Que bom que seja assim! Mas como fazer deste processo algo prazeroso?  Como se preparar para chegar nessa idade com qualidade de vida, dignidade, autonomia, segurança, autoestima e integração social?

Enfim…. estas pessoas não precisam, não querem e nem devem parar no tempo e esperar a morte! Afinal, ninguém sabe quando ela virá e viver é uma dádiva. Precisa ser aproveitado ao máximo!

Com o envelhecimento, as doenças crônicas, comuns nessa fase da vida, passam a ser a grande preocupação em termos de epidemiologia. Sabe que uma pessoa a partir dos 65 anos geralmente possuem de uma a três doenças crônicas como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, etc.

Apesar disso, estudos indicam que a principal causa de mortalidade entre as pessoas mais maduras são o declínio funcional ou cognitivo e não estas doenças. As doenças crônicas se acompanhadas por um médico e bem controladas podem garantir uma qualidade de vida muito boa.

Então como evitar os declínios funcionais e cognitivos comuns ao processo de envelhecimento?

Acho que apesar de absurda em alguns aspectos a teoria de Lamarck, cientista francês do século XVIII, no processo do envelhecimento, se aplica perfeitamente. O “uso, a funcionalidade e a atividade pode atenuar  e estagnar alguns processos fisiológicos de envelhecimento do corpo e cérebro: “O que não se usa atrofia e o que se usa fortalece”.

Sendo assim as pessoas que passaram ou desejam passar dos 60 anos com qualidade de vida e saúde devem o mais precocemente engajar-se na adoção de hábitos de vida que incluam em suas rotinas a atividade física, cognitiva, social e produtiva como uma atividade prazerosa que fará desta etapa da vida, talvez a sua melhor fase, já que pela vivência que possuem, sabe muito bem o que valorizar na vida! É tempo de viver…. E viver diferente!


Luciene Carvalho M. Giusti
Assessora Executiva da ASAP / Fundadora do Tempo de Viver Saúde

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By 8 Arroba