Mobilização é fundamental contra o etarismo

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“A mobilização é fundamental contra o etarismo! Todos deveríamos ser ativistas com relação a esse assunto porque ele nos diz respeito, se não agora, em algum momento de nossa vida”, garante Fran Winandy, que será uma das palestrantes do evento digital Encontros, que vai debater o tema Etarismo – Precisamos falar sobre isso! O mundo está ficando grisalho e o preconceito traz impacto à sociedade. Promovido pelo Movimento Somos 60+ –plataforma de conteúdo e inclusão da geração longeva que gera informações relevantes e conecta pessoas que se dedicam a ofertar serviços e produtos para essa parcela da população–, o encontro será no dia 11, a partir das 19h, pelo YouTube.

Fran é psicóloga, consultora de Recursos Humanos, pesquisadora dedicada ao tema diversidade etária no contexto organizacional e também criadora do blog Etarismo, diz que “abordar o tema é o início da sensibilização, que nada mais é do que jogar uma sementinha na cabeça das pessoas para fazer com que elas tomem consciência e passem a adotar novas práticas. Aí a relevância do evento Encontros”, destaca.

Para ela, o problema do Brasil com o idoso é cultural, pois sempre se considerou um país jovem, a despeito de todas as projeções sobre seu rápido envelhecimento e inversão de pirâmide etária, o que significa que, no geral, existe uma tendência a considerar melhor a performance e potencial de pessoas mais jovens.

No contexto social, o culto é à juventude, à beleza, ao corpo e outros aspectos relacionados a isso. Há o hábito de se dizer que envelhecer bem custa caro, uma máquina de consumo que se alimenta disso, na visão da psicóloga. “São cremes antirrugas, procedimentos estéticos, tinturas de cabelo, suplementos vitamínicos e ‘n’ coisas para que as pessoas pareçam ou se mantenham jovens por mais tempo.”

Segundo Fran, tudo isso provoca e estimula o preconceito com a idade. “Isso é muito ruim e talvez até pior do que os outros preconceitos que já conhecemos, porque o etarismo abrange todas as categorias (gênero, raça, cor etc.) e permeia o tecido social do país. Nesse sentido, ele acaba sendo também o mais democrático dos preconceitos, pois você provavelmente será vítima dele, mesmo que seja homem, branco e rico”, alerta.

E tudo nasce, de acordo com a psicóloga, de estereótipos negativos relacionados com a idade: pessoas idosas não conseguem aprender, são inflexíveis, têm dificuldades em lidar com tecnologia, são lentas, caras, ficam doentes, não tem condições financeiras para se manter ou consumir. “Todos ou a maioria deles são facílimos de desconstruir. Portanto, a batalha contra esse preconceito começa na desconstrução desses estereótipos, o que significa um trabalho em múltiplas frentes e de longo prazo”, esclarece.

Mercado de trabalho

Atuando e ajudando presencialmente os profissionais da área de RH a colocarem luz na compreensão sobre o preconceito de idade nas empresas, Fran conta que o etarismo também tem reflexos nas organizações. Ela explica que os estereótipos negativos relacionados à idade são muito fortes dentro das empresas porque o “carimbo” que vem com o envelhecimento é a perda cognitiva e, em última instância, uma queda de produção ou de performance. Além disso, há incentivos governamentais, o que amplifica o aspecto custo-benefício: altos salários, alto custo de assistência médica e encargos de uma forma geral. “A indiferença da sociedade e das empresas com as pessoas idosas é grande no Brasil, como se o envelhecimento fosse uma questão alheia.As companhias não contratam e, muitas vezes, não treinam, não desenvolvem e demitem em função da idade. As pessoas estão vivendo mais, porém, não há emprego para idosos no país. Será que todos terão que empreender?”, questiona.

A psicóloga esclarece que o mercado de consumo ignora o potencial desta categoria, que, de acordo com estudos recentes, gira em torno de 15% do total no Brasil. “O idoso não se sente representado, ele é invisível. Por que ninguém quer o dinheiro de quem tem mais de 60 anos? Ou será que as pessoas não cogitam na possibilidade do idoso ser consumidor?”, questiona.

Fran comenta que tem atuado em várias frentes, por considerar o assunto importante. Por conta disso, acha importante estar no Encontros sobre Etarismo no dia 11 de agosto. “Dizer que o preconceito deixará de existir é um sonho, mas podemos batalhar para que diminua, o que passa por um esforço conjunto da sociedade, empresas, governo e mídia.Não existe uma fórmula pronta, mas acho que ações em um setor reverberam em outro”, acredita.

 

Tania Machado é administradora de empresas com mais de 20 anos de atuação no segmento saúde, CEO da TM Jobs, fundadora do BCH Business Club Healthcare, vice-presidente do Comitê de Saúde Corporativa da ABPRH Associação Brasileira de Profissionais de Recursos Humanos, Conselheira Consultiva do IBRAVS –  Instituto Brasileiro de Valor em Saúde.  Apresentadora do Canal Valor em Saúde no Youtube e Socia do Movimento Somos 60 mais.

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By 8 Arroba