Insensatez

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Você me permite ir,

Você me permite escolher,

Você é democrática, sensata, elegante, madura, equilibrada,

Não procura forçar sua opinião, impor sua vontade,

Você oferece espaço, aguarda, pede que eu reconheça seu valor,

Sai de perto para não pressionar, chora e sofre distante,

Recrimina o ciúme e me exclui.

Desculpa.

Mas amor não é justiça,

Amor não é julgamento,

Amor não é consciência,

Amor não é controle.

Amor é um filho da p. da insistência,

É manter-se perto, próximo, junto, grudado,

Até que o entendimento da vida estale.

Não é se afastar,

Não é facilitar o trabalho dos outros se afastando.

Não é exigir que venha agora ou nada, que venha inteiro ou nada.

Diante do extremismo, sempre ficaremos com nada.

Sou da crença de que o provisório é tudo.

Pode vir pela metade, fragmentada,

Dividida, um terço de si,

Uma parcela, que eu aceito e completo.

Eu lhe quero do jeito que der, do jeito que for.

Pode vir confusa, em crise,

Indecisa, ambígua, que logo unifico seus receios.

É com a convivência que vou mostrar que sou o que espera,

E sou também o que não espera,

Que sou sua alegria e também sua desordenada raiva,

Que sou seu encantamento e também sua decepção,

Que sou o centro de seus dias e também as margens de suas noites.

Não serei educado para deixá-la em paz.

Nunca.

Amor quando dói é mal-educado.

Falarei excessivamente,

Farei sinais e gestos passionais,

Tremerei mais do que copo de morto – terá o que se lembrar de mim.

Não finja que deseja meu bem.

Não há bem com a distância.

Deseje meu mal, mas deseje que eu seja seu.

Aquilo que é o nosso maior erro costuma ser o grande amor de nossa vida.

Autor: Fabrício Carpinejar

Créditos de imagem para Magda Ehlers no Pexels

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By 8 Arroba